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Academia Planaltinense de Letras | ![]() |
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A ORIGEM DAS ACADEMIAS DE LETRAS
Etimologicamente, a palavra Academia passou a ser utilizada primeiro por Platão, sucessor de Aristóteles, entre os filósofos gregos, que instalou um Escola de Filosofia no século IV a.C.. Por ela passaram sábios como Espeusipo, Xenócrates, Arcesilau e Carnéades. Segundo o historiador mineiro Oliveira Mello, (...) essa palavra “provém de Academo, informante de Castor e Pólux, que, na Ática, procuravam Helena, raptada por Teseu. A gratidão dos lacedemônios fê-los poupar ao castigo o chão pertencente ao herói ateniense Academo”. Portanto, apesar da sua remota origem há quase dois milênios e meio, fundar uma Academia nunca foi fácil, ainda que muitos, levados pela vaidade de se diplomarem “imortais”, pensem o contrário. Para se ter uma idéia, diversas iniciativas nesse sentido fracassaram ao longo dos séculos por razões várias, algumas das quais passamos a enumerar. Depois de Platão, a primeira Academia bem-sucedida só viria a existir na França, no século XVII. Em 1635, o Cardeal Richelieu, ilustre ideólogo do absolutismo, autorizado em carta régia expedida pelo rei Luiz XIII, dava início a uma, tornando-se fundador da Academia Francesa. Nas décadas posteriores surgiriam outras sob o comando do Ministro Colbert, que agrupou-as no Instituto de França. Em Portugal, também no mesmo século, inúmeras iniciativas semelhantes fracassaram. Em 1647 era criada a Academia dos Generosos, e, em 1663, a dos Singulares, ambas de existência efêmera, talvez por falta dessa auto-proclamada generosidade sem singularidade alguma. A primeira, com certa duração, foi a Arcádia Lusitana, fundada em 1756 e que só durou 18 anos. A Nova Arcádia, criada em 1790, foi extinta logo em seguida por causa da rivalidade entre seus membros mais ilustres como Bocage, o maior poeta português setecentista. Somente em 1779 o Duque de Lefões criava a Academia Real das Ciências de Lisboa, que existe naquele país até hoje. No Brasil não poderia ser diferente. Até o século XVIII, nossa produção cultural ainda era vista como uma simples continuidade das origens lusitanas. Nessa época, entretanto, o Arcadismo, iniciado aqui pelo inconfidente Cláudio Manuel da Costa em 1768, nos proporcionava pela primeira vez a construção de uma literatura genuinamente nacional, com obras marcantes como O URUGUAI (1769), de Basílio da Gama, e O CARAMURU (1781), de Frei Santa Rita Durão. Nestes livros o nacionalismo está presente sobretudo por tratar de figuras tipicamente brasileiras, como as índias Lindóia e Paraguaçu, respectivamente. Não era, pois, novidade o surgimento da idéia de criarmos no Brasil a nossa própria Academia. Antes mesmo algumas iniciativas já haviam fracassado. Entre 1724 e 1725, surge a Academia Brasílica dos Esquecidos, em Salvador-BA, criada como forma de protestar contra Portugal, cujos intelectuais brasileiros eram excluídos de participarem de entidades congêneres. Ainda na capital baiana, é fundada a Academia Brasílica dos Renascidos, entre 1759 e 1760. No Rio de Janeiro surgem a Academia dos Felizes, em 1736, e a dos Seletos, e, 1752, ambas extintas logo após a fundação, como no caso desta última, que só fez a reunião de sua Sessão Magna de Instalação. Um pouco antes de 1769, os poetas arcadistas como Alvarenga Peixoto e Basílio da Gama fundariam a Arcádia Ultramarina, com o mesmo propósito de auto-afirmação intelectual da Literatura Brasileira. Infelizmente, outra vez fracassaram. Em 1838, por inspiração do Brigadeiro e Historiador Raimundo José da Cunha Mattos, foi criado, não uma Academia, mas o INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO – IHGB, primeira entidade científica autenticamente nacional. Com ele, nossa elite intelectual finalmente se congregava, fazendo da sua sede no Rio de Janeiro um bem-sucedido espaço de estudos e pesquisas que existe até hoje. Somente em 1897, por iniciativa de outros intelectuais, como José Veríssimo, Machado de Assis e Rui Barbosa, surgiria a consagrada ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. (...)
(Texto extraído do discurso proferido pelo acadêmico XIKO MENDES em plenário durante a XI Sessão Ordinária da Academia Planaltinense de Letras, realizada em 27/11/1999.)
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